Galeria Vertical

Ficções do Eu

O corpo em contraste com o meio, o corpo exposto leve e sob peso, recortes, sequencias, fragmentos, sintaxe. Em ensaio realizado durante os anos de 2018 a 2020, Ana Gilbert nos apresenta um corpo, seu corpo, em imagens. Nele, transcende sua própria identidade, uma vez que a artista foca em elementos identitários menos óbvios do que a face, reforçando a ideia de um “eu corpo”. Um corpo que antes de ser a expressão da identidade da artista é também a expressão da individualidade na dimensão humana.

Ancoradas na característica polissêmica da imagem e sua semântica, ou seja, sua relação simbólica, as fotografias de Ana Gilbert provocam a imaginação a partir de nuances, contrastes, fragmentos e justaposições deste “eu corpo” que encontra, a partir da ficção, sua relação com o outro. Através dela, o “eu corpo” se transmuta em memórias e sentidos que interpelam o espectador, convidando-o para dentro da narrativa, mas o permitindo guiar-se por suas próprias memórias e afetos.

Neste sentido, as narrativas que Ana Gilbert cria em suas fotografias são construídas em partilha, tendo o corpo da artista como disparador do imaginário, convidando o espectador a devanear enquanto reordena os fragmentos de sua memória, (re)construindo ficções do eu.

Esta exposição integra as ações da disciplina de Produção Cultural do curso de Bacharelado em Artes Visuais pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), coordenada pela professora Juliana Angeli.

The body in contrast to the environment, the exposed body light and under weight, cutouts, sequences, fragments, syntax. In an photographic essay conducted during the years 2018 to 2020, Ana Gilbert presents us with a body, her body, in images. In it, it transcends its own identity, since the artist focuses on identity elements that are less obvious than the face, reinforcing the idea of ​​an “I body”. A body that before being the expression of the artist’s identity is also the expression of individuality in the human dimension.

Anchored in the polysemic characteristic of the image and its semantics, that is, its symbolic relationship, Ana Gilbert’s photographs provoke the imagination from nuances, contrasts, fragments and juxtapositions of this “I body” that finds, from fiction, its connection with the other. Through it, the “I body” is transmuted into memories and meanings that challenge the viewer, inviting him into the narrative, but allowing him to be guided by his own memories and affections.

In this sense, the narratives that Ana Gilbert creates in her photographs are built in sharing, with the artist’s body as the trigger of the imaginary, inviting the viewer to daydream while reordering the fragments of his memory, (re) building fictions of the self.

This exhibition integrates the actions of the Cultural Production discipline of the Bachelor of Visual Arts course at the Federal University of Pelotas (UFPel), coordinated by Professor Juliana Angeli.


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Título: A luz em mim
Ano: 2019
Técnica: Fotografia digital
Dimensões: 45x30cm

Título: Ígnea
Ano: 2019
Técnica: Fotografia digital
Dimensões: 45x30cm

Título: Deslizo lentes como dedos
Ano: 2018
Técnica: Fotografia digital
Dimensões: 45x30cm

Título: Evanescente
Ano: 2020
Técnica: Fotografia digital
Dimensões: 30x30cm

Título: Solidão
Ano: 2020
Técnica: Fotografia digital
Dimensões: 45x30cm

Título: Puzzle
Ano: 2019
Técnica: Fotografia digital
Dimensões: 30x45cm

Título: Silêncio profundo
Ano: 2019
Técnica: Fotografia digital
Dimensões: 45x30cm

Título: Desejo de presença
Ano: 2020
Técnica: Fotografia digital
Dimensões: 45x30cm

Título: Espera
Ano: 2020
Técnica: Fotografia digital
Dimensões: 45x30cm

Título: Serpente
Ano: 2020
Técnica: Fotografia digital
Dimensões: 45x30cm

Título: Múltipla
Ano: 2020
Técnica: Fotografia digital
Dimensões: 45×26,24cm

Título: Onde eu não estou
Ano: 2020
Técnica: Fotografia digital
Dimensões: 45x30cm

Título: Fraturas
Ano: 2019
Técnica: Fotografia digital
Dimensões: 45x30cm


Ana Gilbert nasceu no Rio de Janeiro. É fotógrafa, psicoterapeuta e pesquisadora nas áreas de deficiência, arte e processos criativos. É uma das fundadoras (e autora) da Editora Minimalista, em colaboração com escritores de Portugal.

Desenvolve trabalho autoral em fotografia. O interesse por essa forma de expressão artística surgiu a partir de estudos sobre práticas de olhar, desenvolvidos na área acadêmica; o seu envolvimento com imagens, palavras e imaginação levou-a a uma interseção entre fotografia e literatura, trabalhando com imagens como narrativas.

Corpo, movimento e fragmentos são temas que lhe são caros, e o autorretrato é um exercício significativo na sua trajetória em fotografia.

Tem como proposta criativa constante a transformação de palavra em fotografia e fotografia em palavra, em parceria com escritores e fotógrafos. Participou de exposições individuais e coletivas no Brasil, em Portugal e no Reino Unido. Administra o blog Sutilezas do Olhar e é colaboradora nos projetos Fotografar Palavras e Mapas do Confinamento.


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